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Arberry Abu Yazid


ARBERRY, A. J. Le soufisme: La mystique de l’Islam. Jean Gouillard. Paris: Editions Le Mail, 1988

Veja: versão francesa, da tradução abaixo

A expressão panteísta vai abandonar-se a bem outras ousadias com o persa Abu Yazid (Bayazid) de Bistam (falecido em 261/875), o primeiro em data dos sufis "ébrios". No arrebatamento de seu fervor místico, descobriu Deus em seu coração e escandalizou a ortodoxia exclamando: "Glória a mim! Quão grande é minha Majestade!" Seus ditos extáticos (shatahiyat) lançaram em sério embaraço seus irmãos mais "sóbrios" que tiveram de montar um sistema de interpretação próprio para exorcizar um blasfêmia por demais evidente para os não-iniciados. Al-Junaid ele mesmo, pensador tão sutil quanto lúcido e inacessível à "ebriedade", exerceu sua sagacidade a lhes consagrar um comentário. Abu Yazid foi também o primeiro a tentar exprimir sua experiência mística através da Ascensão (mi'raj) do Profeta, inaugurando assim um tema ao qual muitos outros após ele deveriam fazer honra.

Vi que meu espírito era levado aos céus. Não dava olhar nem atenção a nada, embora o Paraíso e o Inferno estivessem estendidos diante dele, pois estava liberto do mundo dos fenômenos e dos véus. Tornei-me um pássaro cujo corpo é Unicidade e as duas asas Perpetuidade e não cessei de voar no ar do Absoluto até que me encontrei na esfera da purificação e avistei a esplanada da Eternidade e ali vi a árvore da Unicidade. Quando vi que eu mesmo era todas essas coisas, exclamei: Ó Senhor! por causa de meu egoísmo não posso atingir-te e não posso escapar de meu eu. Que devo fazer?" Deus respondeu: Abu Yazid, deves adquirir a emancipação de teu eu seguindo meu Bem-Amado (Mafoma). Esfrega teus olhos com o pó de seus pés e segue-o sem cessar.

Um espírito análogo inspira outro relato atribuído a Abu Yazid:

Ele me elevou uma vez, colocou-me diante de Si e me disse: "Ó Abu Yazid, minhas criaturas desejam ver-te." Eu lhe disse: "Orna-me de tua Unicidade, reveste-me de teu Eu e arrebata-me em tua Unicidade, a fim de que, se tuas criaturas me virem, digam: 'Nós te vimos.' Tu serás isso, e eu não serei mais."

Reconhece-se aqui, chegado a seu pleno desenvolvimento, a doutrina do aniquilamento em Deus (fana') que ocupará, a partir de Abu Yazid, um lugar central na arquitetura do sistema sufi. Afinal, não havia tão longe da afirmação de que não existe nada fora de Deus (conclusão lógica desse princípio ascético levado ao extremo, que o mundo não vale nada e que o serviço de Deus é a única ocupação conveniente do coração fiel) e a afirmação de que, o eu e o mundo uma vez eliminados, o místico se esvaneceu em Deus.